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1. O cretino: o mundo é a sua pequena pista privada. Está-se a borrifar para os outros, seja por relaxe, obtusão, mesquinhez, ou todas em conjunto.
 

É a categoria mais eclética: pode ser homem ou mulher; pode usar gravata ou t-shirt; pode conduzir um Porsche ou um Fiat Uno, uma CBR ou uma Zundapp; pode ser uma pessoa inteligente, ou um fã do Jorge Gabriel.


Raramente é mal-intencionado (nesse caso torna-se chico-esperto), mas é sempre indulgente: se pode deixar o carro em 2ª fila não procura um lugar; se vai com pressa acelera de mais; se não vai, atrasa os demais; e só faz pisca quando está enrascado para se meter noutra faixa. É um cancro rodoviário e civilizacional.



2. O tosco: seja por senilidade, falta de coordenação ou baixo QI, tem fraco domínio sobre o seu veículo, e o que se passa à sua volta. É especialista em empatar tudo. Os velhos são habituais nesta categoria, assim como a maioria das mulheres.
 

Se é mulher e ia para protestar muito ofendida, mais vale calar-se: a verdade é que as mulheres conduzem mal, e é preciso dizê-lo. As excepções são isso mesmo.
 

É um mistério como algumas pessoas são autorizadas a conduzir na via pública. Os velhos ainda merecem alguma tolerância; mais irritantes são os toscos que não sabem usar um espelho, certas miúdas que tiram a carta (paga pelo papá) à conta do decote, e aquelas velhas más como as cobras, que conduzem carros topo de gama com a perícia duma vaca numa nave espacial.

 

3. O profissional mete-nojo:  taxistas, camionistas, estafetas, e todos os merdolas que se apanham com um carro ou carrinha da empresa e se transfiguram ao volante, estilo songoku em modo super-trampa-tuga.
 

Como conduzem muito, julgam-se especiais e à margem de todas as regras. Na realidade são seres frustrados e primários, que deviam passar um ano a andar a pé, com aulas diárias de civismo aplicadas pelos bonecos da Rua Sésamo.



4. O Ayrton Senna:  assim chamado porque costuma ter um destino semelhante ao do seu ídolo. É geralmente homem, entre os 18 e os 30 anos, e fica-se por aí.
 

Adora carros ou motas, e devota-lhes a sua vida e o seu (habitualmente escasso) dinheiro. Tem sonhos molhados com motores potentes e ruidosos. Acelera entre faixas como um campeão, encosta-se ao carro da frente, buzina e está sempre à espreita de um desafio, até ao dia em que se estampa a sério, ou em que lhe dão nas trombas. Ambos os casos podem ser divertidos.



5. O chico-esperto: é uma variação perversa do cretino (1ª categoria), pois é assim de propósito. Gosta de se meter à frente mas nunca facilita a ninguém, comete as maiores atrocidades sem pestanejar, e ainda tem a mania que conduz bem. Prefere dar-se aos maiores trabalhos, a fazer seja o que for de forma normal e correcta.
 

Se o cretino é o cancro, o chico-esperto é o ébola da estrada: ainda mais perigoso, e geralmente incurável. É uma categoria muito nacional. Os portugueses gostam de se sentir mais espertos do que os outros, sobretudo quando não o são.

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