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Quem circular pela primeira vez por uma cidade portuguesa, poderá pensar que inventámos um sistema engenhoso para duplicar os lugares de estacionamento: como tanta gente deixa os carros mal parados, deve haver alguma forma de estes se afastarem sozinhos quando necessário. Ou pelo menos de enviar um sinal automático aos condutores, que em questão de segundos aparecem para os afastar.

Estará, porém, completamente enganado. A verdade é que os portugueses estacionam onde lhes apetece, porque se estão a borrifar para os outros. Em vez de perder uns minutos à procura de um lugar válido, preferem ser indulgentes e egoístas, e sujeitar os outros a esperar por eles. Além de bloquearem os carros que estão bem estacionados, obstruem a via pública, causando embaraços escusados aos outros condutores.

Os especialistas neste estacionamento vale-tudo são naturalmente os Cretinos, os Chico-espertos, e os Profissionais mete-nojo. Estes últimos fazem ainda questão de lhe dizer muito ofendidos, quando voltam finalmente para lhe desobstruir o caminho: "ó amigo, eu estou a trabalhar!". Atentemos nesta mentalidade: como ele está a trabalhar, você tem a obrigação de esperar por ele. Pouco importa que esteja também a trabalhar, ou que tenha de levar alguém ao hospital durante um ataque cardíaco: qualquer motivo é irrelevante, porque ele "está a trabalhar".

Quanto aos restantes, nem sequer fingem ter razão: são sacanas comodistas e desprezíveis, que não se importam de andar quilómetros dentro de um centro comercial, mas são incapazes de caminhar mais de três metros desde o carro até onde precisam. Quer vão comprar o jornal ou fazer uma cirurgia dentária, têm de deixar o carro mesmo em frente à porta.

Não admira que Portugal seja atrasado: qualquer sociedade assenta no respeito pelos outros, e isso é uma doença rara neste país. Em nome da nossa sociedade, e da nossa pachorra, é preciso fazer algo para impedir estes palhaços de deixar o carro em segunda fila. A solução natural seria chamar a polícia, mas como lhes dá mais trabalho do que estar sentados a passar multas, não se pode contar com eles. Sugiro pois que tome medidas por si próprio:

1. Quando estacionar, deixe sempre um papel claramente visível: "AVISO: se me bloquear o carro, parto-lhe a boca toda. A sério." - e cumpra.

2. Se for a andar a pé e vir um carro parado em 2ª fila, sem ninguém lá dentro, aguarde durante um minuto. Se o condutor não aparecer, utilize a técnica dos arrumadores despeitados: com uma chave, deixe um belo risco de uma ponta à outra. Escreva "MAL ESTACIONADO!" no final, para não haver dúvidas. Alguns portugueses só aprendem quando a lição lhes chega ao bolso.

Se todos tomarmos estas medidas, a praga dos estacionamentos em segunda fila há-de ser erradicada. Ou, em alternativa, os dentistas e os pintores de automóveis vão passar a ter muitos novos clientes. Mesmo muitos.

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2 comentários

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De Sara a 04.01.2010 às 19:17

Ola,

devo dizer que encontrei este blog por acaso, e identifiquei-me bastante com este post.

Só tenho a carta de condução à 3 meses, e posso dizer que acho que ja vi e ja me aconteceu bastantes coisas para quem tem a carta a tao pouco tempo.
Os estacionamentos em 2ª fila, ou parados num sitio qualquer, ou no meio de uma rotunda, em cruzamentos, entroncamentos, em curvas apertadas, são tão comuns e tão irritantes. Devo dizer que ainda não entendi o porquê dos 4 piscas!?

As pessoas neste país não respeitam ninguém e nem facilitam a vida a ninguém, e as vezes até dizem que a culpa é nossa mesmo quando não fizemos nada e eles é que foram malucos e estúpidos o suficiente para se "mandarem" para cima de "nós" parando simplesmente ao último minuto. E por alguma razão desconhecida, essas pessoas esperam sempre que lhes facilitemos a vida. Enfim, não entendo este país, e odeio conduzir. Não sou perfeita a conduzir, mas tento respeitar as regras ao máximo e estacionar em lugares devidos, acho que nisso ja difiro bastante da maioria dos condutores.

Outra coisa me chocou bastante, nestes últimos 2 dias tive de ir a lisboa e fui pela auto-estrada, achei piada ao nº de acidentes que vi nesses 2 dias, e o mais engraçado nos mesmos locais, para além de se ver bocados de carros espalhados pela estrada fora. As pessoas nao aprendem, nas auto-estradas há com cada apressado que causam com cada situação. Eu cá gosto da faixa da direita onde ninguém me chateia.

Desculpa o desabafo, mas este pais e revoltante neste aspecto :|.


Sara
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De bom condutor a 23.05.2010 às 04:17

É natural que tenha encontrado o blog por acaso, está cá para quem o encontrar, e ainda bem que se identificou com o que leu - é sinal que poderá ser uma condutora diferente, uma BOA CONDUTORA. Nunca ceda ao facilitismo e ao relaxe, exija de si o mesmo que espera dos outros.

Melhore também o seu Português - notei uma certa confusão entre "á", "à", e "há". Sugiro esta regra simples:
- use á DENTRO das palavras: tábua.
- use à FORA das palavras: à vontade.
- use há em vez de "EXISTE": há 3 meses = existe 3 meses; há tão pouco tempo = existe tão pouco tempo.

Tem toda a razão quanto aos condutores que vemos nas estradas portuguesas - são uma calamidade pública. Não se deixe afectar, conduza defensivamente, mas sempre mantendo velocidade suficiente para não empatar ninguém.

Quando vir alguém estacionado em 2ª fila, não se cale - PROTESTE. Sendo uma mulher, não recomendo que dê cabeçadas nas beiças dos outros, mas pelo menos deixe-lhes claro que estão errados. Podem não aprender à primeira, mas hão-de aprender - se não protestarmos, é que nunca aprendem.

Se vai calmamente na faixa da direita, é só consigo - não deixe que ninguém a tente apressar. Mas recordo: NÃO PODE EMPATAR NINGUÉM. Andar demasiado devagar, é quase tão perigoso como andar demasiado depressa.

Cumprimentos,
Bom Condutor

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